Wednesday, August 03, 2005

A TRILHA DE UMA QUEDA

Todas as pessoas que se aproximam dos trinta com certeza já sofreram por alguém, ou já foram chutadas, ou já foram traídas ou já sofreram por sofrer, simplesmente. Sofrer por alguém é algo nato na minha opinião, desde os primórdios as pessoas já sofrem umas pelas outras. Concordo que antigamente era mais poético e enchia os trovadores de inspiração, mas acho que hoje passa um pouco batido, talvez porque a oferta seja muita, talvez porque a nossa vida atribulada não nos deixe parar pra pensar ou mesmo porque talvez tenhamos descoberto que que não é legal sofrer por alguém, talvez hoje em dia gostemos um pouco mais de nós mesmos. Mas o fato é que já aconteceu com todo mundo, e mesmo com tanta modernidade e avanço ainda não inventaram nada que pudesse curar isso. É incrível a quantidade de gente linda, interessante, inteligente, que não tem bafo nem xulé, que sofre por cada uma que pelo-amor-de-Deus!
A melhor coisa a se fazer, depois que acontece uma dessas com a gente, é parar, lamber as feridas e se preparar para a grande volta por cima. Ela pode demorar pra chegar, mas como o mundo é redondo (e isso ele é mesmo), um dia ela vem. Pode vir na forma de um grande novo amor, ou então numa carreira bem sucedida, ou mesmo na forma de uma pequena, doce e inigualável "caída na real"...
Imaginem então que alguém tenha te feito sofrer, o suficiente pra você nunca mais olhar na cara dessa pessoa. Acrescente a essa lembrança uma festa badalada algum tempo depois, quando vocês finalmente conseguem conviver socialmente. Na hora que vocês se vêem sua cara é de surpresa (pode imaginar aquela sirene do "Kill Bill" tocando), depois vocês passam a conversar como civilizados que são, mas como ambos são loucos vem surgindo aquele sentimento de carinho (que você queria ter matado no primeiro momento) e em seguida aquele papinho-pré-xaveco. Você sente que alguma coisa está errada, que aquilo não vai dar certo, procura alguém pra te tirar dali, passa os olhos na festa toda em busca de socorro, mas na hora quem não está bêbado, já foi (nessa hora pode estar tocando "Light my Fire" do The Doors).
Depois de muitos e muitos goles, depois da conversa ter esquentado, esfriado e voltado a esquentar um milhão de vezes, você se achando um idiota, mas mesmo assim curtindo o que está acontecendo, oferece uma carona (música da abertura do "Sex and the City").
Ao chegarem na porta do apartamento, você aceita um convite pra subir e conhecer as mudanças da casa nova. Ao chegar lá em cima, a geladeira está envelopada, tem quadro novo na sala, você vira pra comentar alguma coisa e o beijo rola... (a trilha agora é de "Satisfaction" com "A Rainha da Noite").
Depois de um tempo de beijos, bocas inchadas, tentativas de tornar aquele encontro muito mais que um acaso, depois de muita coisa ser dita nas entrelinhas, depois de perder a noção da hora, passa pela sua cabeça o que você estaria fazendo ali. Quem te deu o direito de esquecer? Você para, olha fixamente para ela que tanto te fez sofrer, lembra de tudo com uma aparência sem reações, respira fundo e fala: "Vou embora".
"Como assim vai embora? O que aconteceu?" diz ela não entendendo o motivo disso tudo. Você não responde nada, afinal de contas, você não precisa responder em algum lugar dentro da cabeça ela deve lembrar, simplesmente você sai, batendo a porta atrás de você com a certeza de que nesse erro você não cai mais. Você sorri, caiu na real sem se machucar mais. Enquanto desce a escada de incêndio, é possível escutar em sua cabeça a última música dessa trilha sonora alucinante, The Blower's Daughter, a música do Closer: And so it is, Just like you said it would be, Life goes easy on me, Most of the time, And so it is, The shorter story, No love, No glory, No hero in her sky...

7 comments:

Ana Téjo said...

Lindo, meu querido, lindo. Aliás, lindo e poderosíssimo.

Agora, tem uma coisinha: SE EU DESCOBRIR QUE ISSO TUDO ROLOU ONTEM, QUANDO VOCÊ DISSE QUE ESTAVA AGONIZANDO DE DOR DE GARGANTA PARA NÃO ME CONSOLAR, eu te esquartejo com as unhas, viu?

Beijos, sweet,
JU...

Zagaia said...

Não foi ontem... mas a gente tb não precisa tripudiar contando o dia né?!

Renata Amaral said...

A vida realmente poderia ser um filme.

Como diria uma amiga, com alguém bem sádico tomando conta do acaso.

beijos

Renata

Zagaia said...

A minha com certeza é um filme... que vcs podem acompanhar por aqui!! hehehe

Renata Amaral said...

Do jeito que virei fã de blogs, estou aqui quase diariamente.

beijos

Anonymous said...

Ju, you're killin' me! Vou parar de ler seus contos, pq já faz uma hora que eu estou aqui pronta pra sair e rindo e chorando na frente do comp.

Mas só pra deixar registrado: you were born to write, honey.

Anonymous said...

Adorei! minha vida tem todo um sondtrack, cada musica marca um momento...
Desculpa invadir seu blog sem te conhecer, ele estava em um link no blog de uma amiga.. parabens, otimos texto,muito humor e reflexao!