Sunday, February 05, 2006

PROGRAMA DIFERENTE
Essa semana um amigo resolveu comemorar o aniversário de uma maneira bem inusitada. Como ele já vinha convidando a tempos o nosso pessoal pra ve-lo tocar com sua banda cover do Metallica, e ninguém andava lá muito empolgado pra participar desse evento, o cara resolveu só pra sacanear, levar todo mundo pra assistir ao show, no dia do aniversário.
Alguns toparam logo de cara, outros tiveram que ser convencidos, outros falaram que estavam loucos pra ir e não apareceram e outros até trocaram o número do celular pra não poder serem encontrados.
A chegada até o show em sí já foi uma aventura. Pra começar fomos avisados que deveriamos ir de preto, pois assim nos "sentiríamos melhor". Outra coisa é que deveríamos ir todos junto com o dono do aniversário, em carreata e em poucos carros, pois nunca, jamais e em tempo algum conseguiríamos chegar sozinhos àquele lugar.
Na data e na hora marcada estávamos lá, todos os cinco e fervorosos amigos do aniversariante, vestidos de preto, com latas de cerveja na mão, ajudando a carregar o equipamento da banda, num galpão de motoqueiros que nem por sonho eu passaria perto em um dia comum e tudo isso num espaço logo alí, em Osasco.
Logo que entramos um amigo me disse: "Acho que eu estava imaginando algo pior!" e eu pensei comigo que jamais conseguiria sozinho, imaginar um lugar pior, não sem antes ter conhecido aquela balada. Vamos dizer que o público era figuração tipo C, que condicionador o pessoal não usava desde 83, que colete de couro com franja era a última moda, que a vodka tinha um nome impronunciável, que brigas saíam a torto e a direita e que o tal galpão era tão quente que o suor escorria por dentro do jeans. Na boa, nunca tinha me imaginado num cenário assim.
Só sei que quando chegamos a banda de abertura estava tocando, era um cover do Iron Maiden, e ao ver a reação do público eu pude constatar que ainda tem gente que gosta de rock "pauleira", que era uma coisa que tinha sido simplesmente abortada do meu IPod logo depois que o Guns'n'Roses lançou November Rain. Ver a comoção daqueles garotos, batendo cabeça, e cantando aquelas letras que nem de perto meu inglês consegue entender, me fez pensar que eu realmente tinha deletado uma parte da música mundial durante dácadas.
Nessa altura meu saco já estava tão na Lua de tantos solos estridentes, gritos de garganta, "chifrinhos" feitos com a mão e danças com "guitarras imaginárias" (sim eles dançam com guitarras imaginárias) que eu já estava pensando seriamente em gastar o meu décimo terceiro com um taxi até alguma travessa da Nove de Julho.
Foi então, que meu amigo subiu no palco, e toda a minha concepção do local mudou. Só de ver o cara lá em cima já deu um puta orgulho, eu não entendia patavina do que a banda cantava, não conhecia nenhuma música e não tinha idéia do que viria a seguir, mas sei que o pessoal da balada estava curtindo horrores e no fundo alguns deles gritavam o nome do meu amigo. Nessa hora então eu consegui relaxar, sacudir a cabeça, me deixar animar com o som e começar a curtir. Devo confessar que cheguei até a gostar, e pensar que asssitiria à mais quando acabou.
Pude ver que mudar um pouco de ares e conhecer novas coisas não tira pedaço, que na verdade, cercado de quem eu gosto eu consigo me divertir em qualquer lugar e isso pode ser bom pra todo mundo. Pude me ligar também que no meio daquele pandemônio existia uma cultura que eu não conhecia, com uma filosofia de vida que eu não acredito ou que por ignorância, nunca soube respeitar, que tem uma galera que participa ativamente dessa cena, que faz sua parte muito bem, e que um deles é o meu amigo.

16 comments:

Cláudia said...

Xu
este post deveria se chamar "tudo na vida tem um lado bom".
ou "o valor da amizade".
Porque se despencar pra Osasco, pruma balada sabe Deus onde, e ainda achar legal, só tu que tem o coração bom...

Zagaia said...

Hehehehe!! Brigado Ceiça! Tomei como elogio mesmo! Mas na boa, vc sabe que eu não tenho o coração tão bom assim! hehehehe! Bjo

Renata Marques said...

Ju,

Vc já chegou nos 30 ou está quase, eu suponho. Porque olha, nessa idade a gente vai ficando de coração mole, viu...nem precisa de muito argumento pra gente realizar o desejo de um gande amigo. Mas...caramba! Vc superou minhas expectativas. Pra show de rock eu não vou desde os 16 anos. Depois que o deus da música eletrônica apareceu pra mim, nunca mais!

hehehe

Bjão.

Anonymous said...

Ah, eu não tenho dúvidas de que deixando o preconceito de lado é possível descobrir pessoas bem interessantes e divertidas. E por isso gosto tanto daquela frase "nem melhor nem pior, apenas diferente"...

mc said...

Belo texto... muito divertido de ler e o final foi muito lindo.
Realmente, dar uma chance para conhecer novas coisas não tira pedaço de ninguém... pena que nem todo mundo pensa assim.

Dani Marques said...

Ju,
Dia desses eu fui no samba! Ou melhor, pagodinho mesmo, acredita?!?! Pois é... Nem eu acreditaria se me dissessem que eu fui.
Mas foi pelo mesmo nobre motivo... Fui pela companhia das minhas amigas... E não me arrependo, pq no final da noite, uma delas enfrentou um "perrengue" e se eu não estivesse lá, não poderia tê-la ajudado...
Tudo bem que quando ouvia um hit do Molejo (ecaaa!!), eu me perguntava até que ponto a gente dve ir por uma amizade! hehehe

Bjos e estava com saudade dos seus textos! Não some, hein?

Zagaia said...

Renata, eu ainda não tenho 30... mas já estou na crise, será que é isso?

Claudia, com certeza essa frase resume muito bem a experiência.

Mc, brigado pela analise!! E é uma pena mesmo que nem todo mundo pense assim!

Dani, como disse a Ceiça, cada coisa que a gente faz né?

bjos

Anonymous said...

Confeso que odeio esse estilo de musica e nunca me permitir conhecer melhor e por consequencia nem respeito.
Sei que é uma opção e assim como eles odeiam samba e outros estilos, nós tbm odiamos os dele.
Não tenho paciencia e nem tímpanos para ouvir...então??!!!

beijos

Anonymous said...

Eu to nessa fase, de so querer ir a lugares diferentes e conhecer pessoas novas... adorei o texto!

Gastón said...

Eu não acredito na sua história, pra mim ela é ficção.

Você num show do cover do Metallica em Osasco... conta outra Jubs.

Mais fácil eu achar a Renata de porre num sambão na Vila Madalena...

Isa said...

O mais legal foi ver que no final, apesar de tudo parecer uma grande roubada,vc sentiu respeito pelo universo de outra pessoa...

bjo.

Zagaia said...

Mary, a paciencia com o tempo vem...

Leo, devo confessar que essa história é a mais pura verdade. Tenho fotos inclusive pra provar!!

Isa, que bom tb que vc consegue me entender! Isso foi o que mais importou!

Bjo

Ana Téjo said...

Eu também já fiz cada coisa por amizade... bem, deixa pra lá!
Beijos,
JU...

Ana said...

Ô Ju, só não gostei de vc fazer esse pouco caso de Osasco viu!!! >:(

Renata Amaral said...

AH,a companhia dos amigos sempre faz dos lugares algo um pouco melhor...
Então é ótimo... mesmo sendo um pouco cheiro de roubada no ar.

bjos

Zagaia said...

Ana, nao e pouco caso de osasco nao!! So falei que era longe, e completamente fora dos meus limites. Nao fique brava, please!

Re, e muito bom mesmo!! Hehehehe e vale tanto a pena!

bjos