Sunday, March 26, 2006

CELULAR

Como diz a Fernanada Young, não existe nada mais patético do que uma pessoa olhando pra um celular que não toca. Afinal, os celulares foram justamente inventados pra que nenhum palhaço precise ficar plantado do lado do telefone esperando uma ligação. Mas adianta falar?
O tipo de coisa mais detestável é quando alguém fala: "Só vou fazer não sei o que e te ligo lá pelas tantas, aí a gente combina direito". Você pode ter certeza, se está realmente interessado na ligação, que não vai fazer nada, absolutamente nada mesmo, a não ser ficar esperando a ligação antes e depois do horário marcado. É deplorável o estado que se fica.
Você olha a cada minuto pra janelinha esperando ve-la piscar, acender, vibrar, ficar azul, verde, amarela, furta-cor e nada! Olha pro lugar onde costuma ficar o ícone de mensagem, na esperança de ver que a pessoa ligou e o celular não pegou, nada de novo. Liga na caixa postal, e a voz feminina diz: "Não há novas mensagens em sua caixa postal". Vaca da mulher da caixa postal, responsável por tantos desapontamentos a cada dia.
Você vai fumar um cigarro, pensa em levar o celular, mas desiste, se ele tocar enquanto você estiver longe vai ser melhor, durante alguns segundos é gratificante pensar em fazer a pessoa passar pela mesma agonia que você.
Durante o cigarro o telefone toca, você sobe as escadas correndo e atende sem olhar quem é, com um alo esbaforido. Não é quem você queria e você se arrepende de ter jogado o o cigarro fora antes de acabar. O convite pro cinema do domingo com os amigos é recusado de primeira, e você desliga já pensando em conferir as ligações não atendidas. Nada.
Vai fumar outro cigarro. Esse acaba rápido demais. Confere o celular, nada! Você pensa em ligar outra vez e dizer: "Oi, desculpe não ter te ligado na hora como eu prometi, sei lá o que...", mas para o seu próprio bem, acha a idéia ridícula em segundos.
Confere tudo novamente. Cor, vibração, ligações perdidas, ícone de mensagens. Nada.
Você sente vontade de vomitar, mas passa. De ir ao banheiro, mas também passa. De comer um chocolate, e dessa vez não passa. Devora o chocolate e se arrepende. Pensa em ir dar uma corrida pelo quarteirão, mas desiste por causa da chuva. Então você entra no banho, e se arrepende de não ter aceitado o convite pro cinema com os amigos, pelo menos você estaria fazendo alguma coisa, se ocupando. Poderia deixar o celular no vibra call e atender fora da sala do cinema, mas não... Tinha que ter a certeza de que o telefone ia tocar? Se odeia por ser tão otimista. Sente raiva da sua estupidez e ansiedade.
Decide tomar um banho, se não for pra sair com o motivo da ligação, pelo menos vai servir pra matar o tempo. Sai do banho e nada. Nada de toque, nada de luzes, nada de ícones, nada de ligações perdidas, nada de nada!
Nesse momento você toma a única resolução sã que poderia tomar pra não enlouquecer de vez - desliga o celular, sai pra dirigir pela cidade e decide terminar o post com uma vírgula, porque depois da vírgula, só Deus sabe o que pode acontecer,

Tuesday, March 21, 2006

MANIAS, UMA CORRENTE DIVERTIDA

"Cada bloguista participante tem de enunciar cinco manias suas, hábitos muito pessoais que os diferenciem do comum dos mortais. E além de dar ao público conhecimento dessas particularidades, tem de escolher cinco outros bloguistas para entrarem, igualmente, no jogo, não se esquecendo de deixar nos respectivos blogs aviso do recrutamento. Ademais, cada participante deve reproduzir este regulamento no seu blog."
1. Eu passo fio dental. Não como um ser humano comum de boca saudável. Não! Eu demoro horas passando fio dental, é quase um hobby. Além disso eu passo fio dental umas 6 vezes por dia, e fazendo as mais diferentes coisas, como conversar no msn, assistir televisão ou mesmo tomar banho.
2. Eu tiro rótulos e adesivos de embalagens. Não posso ficar conversando um minuto a mais na mesa que todos os adesivos e rótulos de refrigerentes, potes de maionese, copos de requeijão vão pelos ares em segundos. Quando a conversa tá muito boa mesmo, começo a arrancar a cola deles com a unha também.
3. Eu fumo um cigarro quando estou atrasado. Se eu acordo atrasado, ou por algum motivo me atraso pra algum compromisso e a ordem é sair correndo, antes de tudo, antes mesmo de me arrumar, tomar banho ou notificar alguém do meu atraso, eu tenho que fumar um cigarro, por mais absurdo que isso possa parecer.
4. Eu falo no telefone andando pela casa. Falar no telefone sentado ou deitado numa cama, pra mim, é algo inimaginável! Eu falo andando e também sempre fazendo o mesmo percurso pela casa. Se mudar o caminho é capaz de eu perder a linha de raciocínio da conversa.
5. Eu tenho sempre a mesma ordem pra me ensaboar no banho. Isso é algo que nunca vai mudar, a ordem do sabão é sagrada. Primeiro a cabeça com shampoo, depois com o sabonete eu começo pela barriga, tórax, braço 1, ombro 1, braço 2, ombro 2, costas, pinto, bunda, perna e pé 1, perna e pé 2, aí eu mudo o sabonete e lavo o rosto. Coisa de gente louca.
E você? Quais são as suas manias? Vamos tentar levar a corrente pra frente!
Recebi isso da Lala, como não poderia deixar de ser, e vou passar pra Dani, pro Leo, pra Isa, pra Mc e pra Renata. Boa sorte galera!

Sunday, March 19, 2006

A LENDA

Ahh os prazeres da vida... Você sai sereno, andando por aí como quem não quer nada, fazendo suas coisinhas, beijando um alguém aqui outro ali, comprando artefatos supérfulos, trabalhando legal, labutando por uma reputação bacana, fazendo novos amigos, cuidando bem dos velhos e num belo dia você fica sabendo que o "pessoal do financeiro" criou uma lenda sobre você.
No começo tudo parece um pouco estranho, por que os "aliens" estão te difamando? Inventando histórias a seu respeito? Espalhando por aí que você não passa de um garoto lindo, rico, fútil, hedonista e hiperbólico? Construindo um enredo com começo, meio e fim no qual não existe nem uma pequena parte de verdade? Por que alguém teria feito isso?
Aí você pensa em se vingar, inventar uma história sobre eles, porque afinal você é muito mais criativo, ou colar post it em baixo do mouse de todo mundo, ou mesmo esconder maconha no cachorrinho dos tadinhos. Mas aí o pensamento passa, você cai na real e se liga que "alguém" criou uma lenda sobre você. Olha que louco...
Meu pensa bem!! Alguém acordou de manhã, foi trabalhar e mesmo tendo um zilhão de continhas, ou planilhas de exel pra fazer, essa pessoa parou tudo e "inventou" uma história sobre você! Olha o tempo que ela perdeu! E depois de toda essa elaboração, ela ainda perdeu mais tempo e empenho espalhando sua obra pros coleguinhas. E tudo isso só pensando única e exclusivamente em você, que nem o nome deles sabe. Na boa, quantas pessoas vocês conhecem que tem uma lenda? Não é pra achar que não existe homenagem maior que essa?
Agora, o melhor de tudo é que mesmo sabendo que a realidade não é tão generosa quanto a mente de quem inventou sua lenda, você sabe que todo mundo vai passar eternamente por aquelas mesas, cheias de pessoas acoadas sobre HP´s e jamais saberá quem é o autor de tão preciosa obra, mas sempre vai se lembrar do seu lindo, rico, fútil, hedonista e hiperbólico protagonista.

Tuesday, March 07, 2006

O GRINGO

Segunda no MSN, lá pelas 9 da noite:
Amiga: Oi você viu que eu te liguei?
Eu: Não! Que horas?
Amiga: Lá pelas 5 não sei... Ninguém te dá recado no seu trabalho?
Eu: Não..
Amiga: Que merda de trabalho! E se fosse importante?
Eu: Você ia ligar de novo!
Amiga: Mas era importante...
Eu: Era? Por quê? Não é mais?
Amiga: É, lógico que é! Eu tô sofrendo um absurdo! O Andrew foi embora...
Eu: Por Deus... Quem é Andrew?
Amiga: O gringo que eu conheci no carnaval...
Eu: Ahhh então você conheceu um gringo no carnaval do Rio? Que original!
Amiga: Conheci, me apaixonei, dormi no hotel com ele até hoje as 4 da tarde, quando o maldito pegou um taxi pro aeroporto. Não fui nem trabalhar! Voltei do Rio na quinta, com o Andrew colado em mim e só desgrudei hoje. Me ajuda?
Eu: Te ajudar? Como? Quer que eu te sustente no estrangeiro enquanto você procura o grande amor? Como eu poderia te ajudar? Foi pra isso que você me ligou as 5 horas?
Amiga: Foi, você tem experiência em se apaixonar por pessoas de outros paises... e eu precisava conversar com alguém que entendesse a minha dor.
Eu: Olha nega... Só tenho duas coisas pra te falar...
Amiga: O que?
Eu: Primeira, sorte a sua que ninguém me deu o recado hoje a tarde, porque se eu te ligasse e você ainda me viesse com esse problema, com a tarde que eu tive, com certeza eu te matava! E segunda, vou passar aí na porta do seu prédio agora pra te arrebentar a cara, e me espera na rua porque eu não vou subir!
Amiga: Credo!! Vexame!! Ainda vou ter que apanhar na rua?
Eu: Vai! Só pra largar a mão de ser tonta! Aproveita e veste uma roupa decente, que eu te levo pra tomar um café depois da surra! Mas se tocar no assunto do gringo, apanha de novo!
Amiga: Tá bom... dá um toque no meu celular que eu desço... Bjo
Eu: Té já!
Era só o que me faltava virar consultor para "relacionamentos importados com data de validade vencida"! Tem coisas que só com um tratamento de choque resolve pra manter a amizade, mas sei lá, as vezes a gente faz por merecer...

Wednesday, March 01, 2006

NEW YORK ADVENTURES III - MONEY, MONEY, MONEY

Pra viajar sem dinheiro é melhor nem ir, pra viajar com dinheiro contado é melhor nem olhar pro lado, mas pra viajar com algum dinheiro, eu descobri que é preciso de mais dias pra não se afobar e decidir o que levar.
Vamos supor que você tenha uma certa quantia a gastar. Uma quantia até que boa, bem razoável de onde você deve tirar dinheiro para os presentinhos da família, encomendas de amigos e "mimos próprios".
E é aí mesmo, no quesito de "mimos próprios" que você se vê na maior enrascada! O que levar para você mesmo? O que você, que já está viajando e feliz da vida, vai querer do destino que você mesmo foi? O que levar pra agradar esse seu ego enjoado e mimado, que já está cheio de sí e duro de inflado por realizar muitos desejos ao mesmo tempo?
Bom, em resumo, toda e qualquer quantia se torna pouca. Pensando bem, muito pouca ou melhor, quase nula. Nada é o bastante pra te satisfazer! Você se sente meio que um alcoólatra no departamento de bebidas do freeshop.
Seu ego se torna cada vez mais ganancioso e perverso e judia dos cartões de crédito, com requintes de crueldade. Cada nova loja é uma nova tortura, um novo sonho de consumo e uma nova sacola. Os finais dos dias são cheios de pacotes pesados, recheados de desejos supérfulos, caros, passageiros, e pequenos desfiles na frente de um espelho conhecido. Você perde completamente a noção, e a cada dia o buraco negro que tem dentro de você parece estar maior.
Você compra, compra, compra como se não houvesse amanhã, mas o amanhã existe. Um amanhã cinzento, envolto em faturas negras, com valores em duas moedas distintas. Agora não há o que fazer, só te resta esperar a tempestade passar, ponderar mais suas novas despesas, e trabalhar. Trabalhar muito, pra poder pagar essa orgia e quem sabe até entrar em uma outra, num futuro bem próximo.

Friday, February 24, 2006

NEW YORK ADVENTURES II - IT'S BEGINNING TO SNOW

- Ahhh. Pena que você vai pra Nova Iorque em fevereiro. Não tem neve...
- É muito difícil nevar em fevereiro. Quase impossível!
- Bom se você chegar a ver neve, vai ser bem pouca. Afinal, o inverno deles já está acabando...
Pois é meus caros, mesmo sendo difícil, mesmo sendo quase impossível e mesmo em se tratando das chances de se ver neve em fevereiro em Nova Iorque serem quase nulas, eu peguei uma nevasca. Bom, uma nevasca só, não! Eu peguei simplesmente a maior nevasca em 180 anos.
Quando os primeiros flocos começaram a cair, num fim-de-tarde de compras no Soho, achei interessante, bonito, diferente, fiquei emocionado, abri a boca pra sentir o gosto, tirei muita foto, liguei pra casa pra contar, e isso tudo pra mim, na boa, teria bastado.
Mas a cidade resolveu me dar mais um presente, mais histórias pra contar, e na manhã seguinte, quando eu coloquei o pé pra fora, estava tudo coberto de um branco bem branco, que chegava mais ou menos até a metade das minhas coxas.
Parecia que o Natal tinha chegado novamente. Parecia que eu era parte de um filme, de uma dessas comédias romanticas que lançam sempre no fim do ano, ou de algum seriado que eu sempre assisti.
Mais uma vez, o caipira do sítio que mora em mim não se contentou apenas com visão, e teve que tocar, apertar, deitar e rolar na neve ainda limpa, pra sentir se era de verdade, meio que pra ver que o "filme" era real e meio que pra guardar aquilo sempre na memória.
No final todo molhado e gelado, louco pra tomar um banho quente, me agasalhar e voltar a sentir os meus dedos, eu gostei de pensar que já podia riscar um daqueles itens de "coisas para fazer nessa vida". "Brincar na neve" agora já tem um visto, do lado.

Friday, February 17, 2006

NEW YORK ADVENTURES - LET'S PAINT THE TOWN

Mal podia esperar as 9 horas de vôo para poder aterrisar logo em solo americano, mal consgui dormir nas duas cadeiras da economica que eu tinha conseguido arrebatar e mal pensava em tudo que eu tinha para fazer. Era uma emoção esquisita, uma sensação "caipira" de quem parece que nunca saiu do sítio, misturada a um certo medo de não saber o fazer, o que dizer ou até mesmo o que pensar!
A primeira coisa que eu fiz quando cheguei em Nova Iorque, foi passar pela imigração americana, até porque é o que todo mundo que não é americano faz quando chega lá, e eu não podia fugir dessa...
Não sei se por muita empolgação ou carga energética demais na minha cabeça, na hora que ficamos só eu e o chefe de polícia para as averiguações e a "carimbada" do infame papelzinho, o sistema "inexplicavelmente" saiu do ar. É isso mesmo, o sistema de checagem das pessoas que chegam no aeropoto deu "tilt". Justo na minha vez! Bem em mim que estava querendo tanto entrar e ficar tranquilo na Big Apple!
Juro que na hora pensei que tivesse aparecido alguma coisa estranha na tela, como: "Segurem esse cara" ou "ele não tem crédito no banco", mas não. Notei que em todas as cabininhas tinha gente parada olhando, como eu pro chefe de policia. Perguntei pro cara se isso sempre acontecia, e ele disse que, pelo que ele sabia, aquela era a primeira vez! Os minutos na frente do homem foram intermináveis. Também pudera, foram mais de vinte longos minutos parado na frente do cara, com uma tela branca entre a gente, em total silencio.
Quando o sistema finalmente voltou o homem perguntou: "Quantos dias você vai ficar?" e eu respondi "Dez". Ai ele disse: "dedo direito", apontando a maquininha na minha frente, e eu coloquei o dedo esquerdo. Então ele falou: "aperta forte cara" e eu troquei de dedo. Foi então que ele disse com a cara mais novairquina possível, e no mais perfeito palavreado do Bronx: "Você não vai durar nem 3 dias por aqui, irmão", me entregando o cartão com validade até agosto.
Saí de lá pensando: "Não vou durar nem 3 dias? Você que me aguarde guardinha... Vou chegar aqui nesse aeroporto com uma banda pedindo que eu fique". Será que esse cara não sabe que eu confundo direita e esquerda até mesmo em português? Vai se danar!
Peguei uma van e sai do aeroporto sentido Downtown... Na minha cabeça só tinha mais um pensamento agora: "Será que eu vou encontrar a Nova Iorque que eu espero? Ou será que em 3 dias a cidade iria mostrar que nao era bem o que eu vinha procurar, e me engoliria como fez com tantos outros?". Não sei, só sei que três dias, por enquanto, era ainda muito tempo.

Thursday, February 09, 2006

FORA DO AR
Por ter ido realizar um sonho, o humilde postador desse blog, durante toda a semana que vem e mais um pouquinho da outra vai estar completamente fora do ar, numa cidade que nunca dorme e que muitos chamam de Grande Maça.
Prometo voltar cheio de novidades e idéias legais pra dividir com vocês! Se isso não acontecer, pode ser, que eu tenha decidido ficar por lá ou esquecido de voltar!
Bjos e obrigado a todos

Sunday, February 05, 2006

PROGRAMA DIFERENTE
Essa semana um amigo resolveu comemorar o aniversário de uma maneira bem inusitada. Como ele já vinha convidando a tempos o nosso pessoal pra ve-lo tocar com sua banda cover do Metallica, e ninguém andava lá muito empolgado pra participar desse evento, o cara resolveu só pra sacanear, levar todo mundo pra assistir ao show, no dia do aniversário.
Alguns toparam logo de cara, outros tiveram que ser convencidos, outros falaram que estavam loucos pra ir e não apareceram e outros até trocaram o número do celular pra não poder serem encontrados.
A chegada até o show em sí já foi uma aventura. Pra começar fomos avisados que deveriamos ir de preto, pois assim nos "sentiríamos melhor". Outra coisa é que deveríamos ir todos junto com o dono do aniversário, em carreata e em poucos carros, pois nunca, jamais e em tempo algum conseguiríamos chegar sozinhos àquele lugar.
Na data e na hora marcada estávamos lá, todos os cinco e fervorosos amigos do aniversariante, vestidos de preto, com latas de cerveja na mão, ajudando a carregar o equipamento da banda, num galpão de motoqueiros que nem por sonho eu passaria perto em um dia comum e tudo isso num espaço logo alí, em Osasco.
Logo que entramos um amigo me disse: "Acho que eu estava imaginando algo pior!" e eu pensei comigo que jamais conseguiria sozinho, imaginar um lugar pior, não sem antes ter conhecido aquela balada. Vamos dizer que o público era figuração tipo C, que condicionador o pessoal não usava desde 83, que colete de couro com franja era a última moda, que a vodka tinha um nome impronunciável, que brigas saíam a torto e a direita e que o tal galpão era tão quente que o suor escorria por dentro do jeans. Na boa, nunca tinha me imaginado num cenário assim.
Só sei que quando chegamos a banda de abertura estava tocando, era um cover do Iron Maiden, e ao ver a reação do público eu pude constatar que ainda tem gente que gosta de rock "pauleira", que era uma coisa que tinha sido simplesmente abortada do meu IPod logo depois que o Guns'n'Roses lançou November Rain. Ver a comoção daqueles garotos, batendo cabeça, e cantando aquelas letras que nem de perto meu inglês consegue entender, me fez pensar que eu realmente tinha deletado uma parte da música mundial durante dácadas.
Nessa altura meu saco já estava tão na Lua de tantos solos estridentes, gritos de garganta, "chifrinhos" feitos com a mão e danças com "guitarras imaginárias" (sim eles dançam com guitarras imaginárias) que eu já estava pensando seriamente em gastar o meu décimo terceiro com um taxi até alguma travessa da Nove de Julho.
Foi então, que meu amigo subiu no palco, e toda a minha concepção do local mudou. Só de ver o cara lá em cima já deu um puta orgulho, eu não entendia patavina do que a banda cantava, não conhecia nenhuma música e não tinha idéia do que viria a seguir, mas sei que o pessoal da balada estava curtindo horrores e no fundo alguns deles gritavam o nome do meu amigo. Nessa hora então eu consegui relaxar, sacudir a cabeça, me deixar animar com o som e começar a curtir. Devo confessar que cheguei até a gostar, e pensar que asssitiria à mais quando acabou.
Pude ver que mudar um pouco de ares e conhecer novas coisas não tira pedaço, que na verdade, cercado de quem eu gosto eu consigo me divertir em qualquer lugar e isso pode ser bom pra todo mundo. Pude me ligar também que no meio daquele pandemônio existia uma cultura que eu não conhecia, com uma filosofia de vida que eu não acredito ou que por ignorância, nunca soube respeitar, que tem uma galera que participa ativamente dessa cena, que faz sua parte muito bem, e que um deles é o meu amigo.

Saturday, January 21, 2006

A PEQUENA CIDADE DE SÃO PAULO

Sempre achei que São Paulo não passa de uma grande cidadezinha do interior. Amo esta cidade com todas as minhas forças e com todos os problemas dela, e acho que esse fato não a desmerece nem um pouco, mas cada dia tenho mais a certeza de estar vivendo num lugar onde todo mundo se conhece e onde todo mundo, querendo ou não, pode estar por dentro da vida dos outros.
Só sei que vivendo nessa aldeia, temos que tomar muito cuidado com tudo que fazemos, pois nunca se sabe onde vai se cruzar com o próximo amigo-do-amigo que por um infortúnio lembra de você, ou com aquela menina que você saiu um tempo, ou mesmo com a mãe carola daquele seu amigo de presepadas.
Sempre achei que essas coisas só aconteciam comigo, depois conversando com os outros, trocando esse tipo de história, parei com a mania de perseguição e ví que era com todo mundo que acontecia, mas ao conhecer o Sérgio eu tive a certeza que comigo acontece muito pouco.
O Sérgio é um cara bacana, sensível, tem um bom emprego, um bom apartamento, um bom papo, cozinha bem, discursa bem e já passou por esse tipo de histórias tantas vezes que nem lembra qual delas foi a pior, mas com certeza a última vai ficar na cabeça dele por um bom tempo.
Digamos que por estar passando por um período meio foda no trabalho o Sérgio não saia com ninguém fazia tempo. Depois que a pressão aliviou um pouco, numa balada meio aniversário de um amigo nosso, o Sérgio conheceu a Karine e começaram a sair. O Sérgio não achava a Karine tudo isso, mas ela era linda, o fazia rir, era arquiteta, morava com uma amiga perto da casa dele, transava legal, as coisas foram se levando uma a outra e quando ele se deu conta já estava saindo com ela há umas duas semanas. As saídas dos dois nunca eram muito profundas, ele nunca tinha ido na casa dela, nunca tinha a levado em festas. No fundo o Sérgio não sentia firmeza na Karine, a achava meio sem sal, não rolava muita química, mas como o lance tava indo bem ele não reclamava e esparava a fila andar.
Dia desses, num esquentinha de outros amigos onde a bebida tava rolando solta, o Sérgio esbarrou com a Márcia e foi amor a primeira vista. Se atracaram na festa com requíntes de um vexame duplo e pra não piorar as coisas decidiram ir pra casa da garota, o Sérgio tava meio com medo da Karine ligar e coisa e tal, então preferiu um território neutro.
A noite do cara foi incrível, a Márcia se mostrou ser tudo que o Sérgio esperava, ela era tudo que a Karine era, mas nela ele sentiu a química que faltava na Karine. Na manhã seguinte, acordadando de cuecas o Sérgio saiu pelo apartamento em busca da mulher da sua vida. Qual não foi a surpresa do moço ao encontrar a Márcia e a Karine sentadas na copa do apartamento?
As amigas que moravam juntas, enganadas pelo mesmo calhorda, tudo se juntou na cabeça dele. Como ele podia ter saído com as duas, que conheceu em lugares completamente diferentes, em festas de amigos completamente opostos, e ter transado com as duas em menos de duas semanas? O que ele ia falar agora? Na minha opinião, o Sérgio tomou a única atitude que um macho de respeito poderia tomar numa hora dessas: passou a mão nas calças e foi embora, sem dizer uma palavra. Ele nunca mais as viu, e nem ligou pra nenhuma das duas.
É, tem situações que nem morando numa grande metrópole, a gente consegue escapar. Vai explicar uma história dessas! Só vivendo numa cidadezinha dessas bem pequenas, como São Paulo por exemplo, pra poder entender...

Thursday, January 19, 2006

NÃO, VOCÊS NÃO SABEM

E o pior é que eu tenho certeza que não sabem mesmo a arapuca em que estão se metendo. Lembram da expressão: "Não cutuque a onça com vara curta", pois ela se aplica muito bem a esse caso. Posso parecer aloprado, esquecido e o caralho, mas de bobo eu só tenho a cara e o jeitão de andar, e ainda bota memória nisso pra lembrar de quem mancou comigo.
Além de tudo, existem dois tipos de brincadeira, as que a gente faz, e as que a gente nem sonha em fazer. E essa daí, meus queridos, com certeza faz parte do segundo grupo.
Faço questão ainda, de deixar bem claro que não fui eu que comecei, mas que sou eu sim, que vou fazer de tudo pra terminar. E pode deixar, que farei questão também de declarar a hora que a "brincadeira" acabar.
Vinganças corriqueiras podem parecer babagem e uma coisa fora de moda nos dias de hoje, onde se ri de tudo e o mais passa desapercebido, mas pra pessoas como eu, que leram O Conde de Monte Cristo e que gostam desse tipo de jogo, elas ainda são um prato cheio de atrativos.
Gostaria também de chamar a atenção "daqueles que não fazem a menor idéia", para os perigos de quem vive numa cidade como São Paulo, como o estacionamento escuro, o elevador vazio, o banco de trás do carro filmado, um monte armadilhas... O jacaré do Rio Pinheiros por exemplo é uma delas, ninguém até hoje conseguiu saber do que ele se alimenta. Mas aos que quiserem descobrir, fica fácil: é só continuar com a bobeira.
Esta carta foi mais ou menos deixada na soleira de porta de umas pessoas hoje de manhã. Alguns deles podem não ter lido, por isso eu achei por bem publicar. No lugar da assinatura, além de um risco ilegível tinha também um resto de baba, algumas marcas de tinta borrada, e um pedaço de ingresso de O Fantasma da Ópera... Não sei o que isso tudo quer dizer, mas eu no lugar de quem recebeu, ficaria bem com medo e pararia de vez com o que quer que fosse.

Wednesday, January 18, 2006

PERDA DE MEMÓRIA RECENTE

Nunca fui um cara conhecido por lembrar das coisas. Muito pelo contrário, quando eu lembro de alguma coisa, é aí que as pessoas se espantam. Esqueço datas, nomes, telefones, senhas de banco, de onde eu conheço alguém e principalmente, sempre esqueço o que eu fui fazer em algum lugar.
A minha memória precária já me rendeu histórias incríveis, que infelizmente eu não esqueço de jeito nenhum. Já anotei códigos na minha mão para lembrar de coisas, e depois esqueci o que o código queria dizer, já marquei encontros com pessoas e na hora e no lugar marcado simplesmente achava que tinha esbarrado com elas por acaso, já fiquei domingos em casa, puto da vida por não ter nada pra fazer, enquanto todos os meus amigos me esperavam num churrasco que eu inesperadamente esqueci de ir.
Eu sou assim, quem me conhece sabe pra nunca confiar na memória que me falta, mas depois dessa última eu realmente ví que tenho que começar a me preocupar mais com isso!
Numa manhã dessas estava indo pra uma reunião fora, só que antes tinha que passar na casa de um cara que trabalha comigo que ia também. Tomei as medidas necessárias, anotei no alarme do celular, coloquei post it na direção, tudo pra não esquecer de pegar o moço. No horário marcado, eu apareci para pega-lo e tudo bem, fomos em direção ao Alphaville.
Lá pelo meio do caminho, naquele cenário de marginal parada e coisa e tal, eu lembrei que não tinha um só puto pro pedágio, e o cara me falou que não tinha também. Saí da pista expressa e caí na via normal, afim de encontrar um posto onde pudessemos tirar dinheiro e eu pudesse também comprar um cigarro, que naquela altura já estava me fazendo falta.
O cara insistiu em tirar o dinheiro, pois quem estava indo de carro era eu e tudo mais. Eu aceitei, fui comprar o meu cigarro, ainda levei mais um suco e voltei pro carro, dei a partida e fui embora, pegando a pista expressa novamente.
Mal consegui respirar quando notei a pasta do cara, no pé do banco do passageiro sem o cara segurando a alça. Um arrepio gelado me subiu pela espinha!! Como eu podia ter esquecido o cara lá? Onde eu estava com a cabeça!? E onde eu estava agora? Em que parte da marginal Tietê que eu não conheço? Como eu fazia pra voltar aonde eu estava?
A única atitude decente que eu pude tomar na hora foi ligar no celular do cara, que nem tinha notado minha ausência porque ainda estava na fila, e dizer pra ele esperar um pouco que eu já voltava. O tadinho nem podia acreditar quando eu apareci no posto, mais ou menos uns 20 minutos depois pra buscá-lo.
Tenho pensado ultimamente em andar com um crachá, que tenha o telefone da minha casa e de familiares próximos para o caso de eu esquecer quem sou ou como volto. No crachá também pode ter um avisinho em letras garrrafais, que diga que seu portador tem perda de memória recente, mas que se a pessoa fizer eu me esforçar um pouco, tenho certeza que vou acabar lembrando de tudo no fim.

Wednesday, January 11, 2006

AMARGO RETORNO

Então num belo dia você está lá, largado na areia com protetor 4, que nem de longe é o recomendado para o seu tipo de pele, tomando uma água de coco que custa 0,75, enchendo a cara de um camarão que é praticamente do tamanho da sua mão esquerda, almoçando lagosta a preço de feijão, olhando aquele mar de um pantone que você nem sabia que existia na nauteza e no dia seguinte: PUMBA! Está de volta ao trabalho.
Tamanha violência deveria ser prevista no código penal! As pessoas tinham que voltar de férias gradativamente. Ninguém volta pra rotina no tapa, aos poucos seria muito melhor. No primeiro dia deveriamos só ficar meio período pra contar as novidades, no segundo dia, meio período também só pra ler os e-mails e ouvir as novidades dos outros, no terceiro dia você teria que ficar até as 3 da tarde, mas poderia levar um amigo e fazer um almoço de 4 horas. No quarto dia as coisas seriam um pouco mais puxadas, portanto no final do dia, lá pelas 4 da tarde, você ganharia uma massagem revitalizadora que começaria a colocar todos os seus neurônios no lugar. E finalmente no quinto dia, que geralmente cai numa sexta-feira, você poderia fazer um almoço de apenas 3 horas, mas pra compensar poderia sair 2 horas mais cedo.
O mundo seria bem melhor se fosse assim... Já imaginou a cara das pessoas que acabaram de voltar de férias indo embora mais cedo? Em algumas empresas mais familiares, os funcionários poderiam até levar suas mães, filhos, gatos, cachorros e papagaios nos primeiros dias.
Mas, como as coisas ainda não chegaram a esse nível de humanidade, como os grandes empresários ainda não tesse esse tipo de visão do funcionário, você volta do paraíso, meio que ainda cheirando a sal, pra sentar direto na sua cadeira sem vista para o mar, e puxar os seus 784 e-mails. Nossa, como as coisas podem ser tão cruéis logo no começo do ano?

Sunday, December 25, 2005

PARAR DE BRINCAR

Quando eu era criança, adorava brincar de playmobil. Não sei se eu gostava pelo playmobil em si, ou pelo fato de ter todo um ritual pra se começar a brincar. Primeiro era preciso convencer minha irmã ou algum outro desocupado a brincar, depois vinha a escolha dos bonecos, a escolha das outras coisas, peças, casas, e badulaques, depois toda a "fase de montagem", que nas férias podia levar dias, e só então a brincadeira começava. Na maioria das vezes, brincar não era tão legal quanto arquitetar todo aquele mundo, então numa determinada hora, sem culpa nenhuma eu perguntava: "Vamos parar de brincar?". Aí tudo aquilo era desmontado, guardado e feito outra vez quando desse vontade.
Quando eu começo a sair com alguém novo, sempre me imagino numa dessas brincadeiras do playmobil da infância. Conevencer o outro a brincar é o papinho que rola vez ou outra, a escolha das peças são as regras que todo pequeno ou grande relacionamento tem. Depois vem a parte de se conhecer, de se mostrar, que pode ser equiparada a "fase de montagem" da brincadeira, isso também pode levar dias, e por fim se começa a brincadeira.
Um dos grandes problemas em se estar "brincando" com alguém novo, é justamente o fato da pessoa ser nova, e de eu não ter a mínima idéia do que se passa na cabeça dela. O outro grande problema, é que hoje em dia eu também não tenho mais a mínima paciência para ficar dias "arquitetando" o mundo do playmobil. O negócio se inverteu de uma tal forma, que por mim eu já iria tirando os brinquedos do saco e fazendo a brincadeira do jeito que desse, na sorte mesmo.
Sei que tudo isso pode parecer um pouco imediatista e apressado mas o ruim é que, hoje na maioria das vezes, a grande maioria das pessoas, só está interessada no ritual e não em começar à brincar.
É nessas horas que eu gostaria de perceber de longe as intenções de quem se aproxima de mim, e gostaria também que na vida as coisas fossem um pouco mais parecidas com a brincadeira. Gostaria de poder parar de brincar na hora que eu me ligasse de tudo, e começar a guardar as coisas sem culpa nenhuma, sem sequelas, sem machucados, sem espectativas e sem recoradações. Gostaria que depois do furacão as coisas voltassem pro seu devido lugar, nas suas devidas caixas dentro de um lugarzinho seguro e ficassem lá, até que eu quisesse tirar pra começar a brincar novamente. Mas, nem tudo é do jeito que gostariamos que fosse.

Thursday, December 08, 2005

LÁ, LÁ, LÁ

Quem nunca cantou uma música errado, que atire a primeira pedra! Lógico que ninguém gosta que isso aconteça, mas uma palavrinha ou outra de uma música bem conhecida, é normal a gente trocar.
Toda essa história começou, num papo com uma daquelas amigas que você já conversou tudo que tinha pra conversar e termina por só falar idiotices quando vocês se encontram. Num dado momento de um desses papos você resolve confessar que, quando era menor, cantava "...ter uma casinha branca de laranjas..." em vez de "...ter uma casinha branca de varanda...". Sua amiga ri muito e também confessa que na música da Marina Lima, onde ela falava: "...um homem pra chamar de seu...", ela cantava "...um homem pra chamar Dirceu...". Pronto, a partir daí sua vida nunca mais será a mesma e você percebe que não vai se aquietar enquanto não descobrir se esse é um problema de todo mundo, ou só seu e da sua amiga maluca. Depois de perguntar um pouco aqui e alí não fica difícil se ligar que todo mundo já cantou errado alguma coisa, ou muita coisa em alguns casos, e as pérolas são uma pior que a outra.
Um cara do escritório tinha certeza que na madrugada do Cláudio Zoli, a moça ficava "trocando de biquíni sem parar" em vez de "tocando B.B. King sem parar". Algumas meninas do finaceiro, sempre cantaram juntinho com o Roupa Nova "...eu perguntava tudo em 'holandês', e te abraçava tudo em 'holandês'..." em vez de "...eu perguntava do you wanna dance, e te abraçava do you wanna dance...". Outra moça da recepção tinha certeza que os Titãs acusavam alguém de assassinato com seu "...homem que mata! Capitalisamo selvagem...", e também sempre gritava pro "Pirê" falar com a mãe, quando que era o "Cridê" que a música chamava.
Os Paralamas do Sucesso mereciam um capítulo à parte, ô gente pra cantar difícil. A música do Vital, ficava assim: "Vital e sua moto, mais que um leão feliz...". Será que ninguém sabia que era "uma união feliz"? E o pessoal que cantava: "... entrei de caiaque no navio...", será que nunca tinha ouvido falar em "gaiato"? Tinha também aqueles que colocavam elementos do seu café da manhã no meio da música, como: "alagados, Nescau, favela da maré...".
As músicas passearam também pelos grandes clássicos, como Menino do Rio, com seu "dragão tatuado no braço" onde alguns, pensaram no pobre André de Biasi como um "ladrão com a toalha no braço". Rita Lee também não foi poupada, No Escurinho do Cinema rendia ótimas trocas para seus ouvintes empolgados: "minha garota Mae West" facilmente virava, "minha garota, meu yes".
Em Eduardo e Mônica, "o carinha do 'fucinho' do Eduardo, que disse..." não dizia mais nada, até porque ele nem no "cursinho" estava. A piscina do Cazuza, não estava também cheia de ratos, e sim "a toxina", que alguém deve ter deixado rolando por aí. E Elis Regina, tadinha, está esperando até hoje a "volta do irmão doentio" do Bêbado e o Equilibrista.
Músicas como Astronauta de Mármore e Missionários, na verdade, fizeram sucesso porque cada um cantava o que queria, na minha inocente pesquisa foram achadas as mais diferentes traduções para "dar bonitas condecorações" e "o tolo teme a noite, como a noite vai temer o tolo". A maior de todas as gafes musicais, foi a de alguém que não quis ser citado, e que transformou Açaí, do Djavan, numa das mais belas páginas do cancioneiro popular. A música ficou mais ou menos assim: "Ao sair do avião, Zumbi pisou num ímã...", agora só não me perguntem o que o Rei dos Palmares estava fazendo num avião.
Depois de rir muito com tudo isso e depois de ter esse papo megadivertido com todo mundo, o que eu concluí foi que ainda bem que a vondade de cantar prevalece à rapidez dos neurônios para aprender a música. E ainda bem também que "para bailar La Bamba" basta boa vontade e um "lá, lá, lá, lá, La Bamba".

Tuesday, December 06, 2005

BANDIDECO DE QUINTA

Você tomou piaba da sua chefe, você perdeu uma concorrência, você fez um layout que não ficou nada bom, você não está mais conseguindo prestar a atenção nas coisas, seus últimos dez relacionamentos não demoraram mais que dois dias, seus amigos estão todos namorando, no último fim de semana você trabalhou, e no anterior foi pra praia na casa de uma amiga e quebrou uma cadeira dela no valor de 300 reias. Como se tudo isso não bastasse, você ainda é convidado pra um evento bom, mas que você nem curtiria tanto, e só vai pelas companhias. No meio disso tudo, seu carro, que você paga a duras penas, passa por um ato de vandalismo somado a uma tentativa-de-roubo-meio-sem-noção, feita por um bandideco sem-vergonha, que nem pra roubar serve.
Na hora te dá a maior raiva, vontade de chutar, gritar, espernear, chamar a mãe, o pai, a avó, rolar na calçada dando gargalhas estéricas (mas disso você logo desiste, pois o chão está cheio de cacos de vidro). Então, depois que o piti passa você pensa que o bandinho-de-quinta deve ser um frustrado mesmo, foi ser ladrão, achando que ia se dar bem, traficar droga pesada, falsificar dinheiro, ter intercâmbio de escravas brancas com a Iakuza, ser o fudidão da favela, mandar matar e morrer e coisa e tal... Mas o pobre, não passa de um mal-sucedido "estourador de vidros". Isso, na boa, é o fim do "organograma da bandidagem", vai ser looser assim lá no Morro do Macaco Molhado, onde Malandra é malandra mesmo e não dá mole pra Mané... Chega até a dar pena de bandido assim.
Mas a minha vontade era de pegar o cara, logo depois do ato e de bater muito no filho-da-puta (desculpem as moças), além de perguntar pro infeliz o por que da sua tão frustrada existência. O cara deve ser zoado a beça pelos coleguinhas na Escola Dominical de Larápios.
Bom, depois de somar os gastos, você pensa que é melhor que tenha acontecido só isso, que isso pode ser até um sinal do início da sua boa fase, que um período maravilhoso vem chegando por aí, que sua nova tatuagem vai servir pra te abençoar ainda mais. Pensa também que pelo menos, você vai ajudar a engordar o décimo terceiro do funileiro e leva uma dividazinha a mais pro ano que vem. Fazer o quê? Nessas horas só dá pra xingar...

Tuesday, November 22, 2005

SÓ PRA MIM*

E eis então mais uma vez que eu estou aqui sozinho, sem ninguém pra conversar e sem nenhuma voz além da minha. A madrugada já está alta e finalmente ela vai aparecer.
A noite eu ando por aí enquanto a cidade está vazia, eu penso nela fico feliz e de repente estou sorrindo. O mundo vai dormir e sou eu quem vai sonhar. E então, só pra mim, eu finjo que ela chega e são pra mim os beijos que ela trouxe, invento que estou entre os seus braços e quando ela aparece tudo volta a tomar rumo.
Imagino que ela ri das histórias que eu conto, que ela gosta do meu abraço, que ela sente lá do outro lado tudo que eu sinto aqui sozinho. Invento que ela sabe o que me faz bem, que me vê sempre que está com saudade e que ela sonha comigo e sente minha falta assim como eu sinto dela.
Já choveu e as ruas estão refletindo as estrelas como um rio. E as estrelas parecem reforçar a idéia de que ela também me ama. Mas eu sei que é tudo só em mim, só pra mim é que eu confesso esse amor. Só eu sei o que é amar assim... E eu amei e amo por nós. Eu a amo e vão passando os dias, vem o Sol e ela vai embora. Sem ela o mundo é só o mundo, um mundo que gira tanto, e eu vou em volta dele nesse amor que não tem fim. Eu a amo, mas sei que é só pra mim.

* Esse post é uma tradução livre e muito adaptada, de uma música que mudou minha vida, e que até hoje eu canto e lembro, quando me sinto do jeito adolescente que ela descreve uma paixão platônica e unilateral. A primeira vez que eu escutei "Só pra mim" (On my own) foi no ensaio geral da montagem brasileira de Les Misérables, ao lado do próprio Cameron Machintosh. Mais uma vez foi impossível não chorar, e acho que ainda hoje seria, mas isso, eu sei que não é só pra mim.

Friday, November 18, 2005

SÍNDROME DO BAMBI

Poucas histórias marcam tanto a nossa vida quanto as vividas na infância. Acho que por terem cores, cheiros e dimensões diferentes elas ficam armazenadas em um lugar que todo mundo trata com carinho. Uma das que mais me marcou, é lembrada até hoje por amigos, familiares e até colegas de trabalho, assim que eu ponho o pé dentro de uma sala de cinema.
Mais ou menos ha uns vinte e poucos anos, mais ou menos nessa época do ano, minha mãe mais ou menos desesperada não sabia o que fazer com os dois filhos pequenos, que tinham acabado de entrar em férias e estavam botando a casa abaixo. Naquela época, minha irmã com uns 4 anos e eu com uns 6, nós dois eramos peritos em espalhar brinquedos, fazer guerra de comida, dar gritos para conversar com os vizinhos e nos pendurar na janela mexendo com quem passava na rua. Nos ter em casa era tão sofrido que qualquer motivo era bom pra sair com as crianças penduradas. Foi num momento desses que minha mãe teve a "brilhante idéia" de nos levar ao Iguatemi, para comprar o que ainda faltava para o Natal e pra assistir Bambi, junto com a gente.
Lembro que a quantidade de crianças felizes na entrada do cinema era enorme, todas rindo, correndo, gritando, comendo pipoca, uma verdadeira festa. Antes da sessão começar, minha mãe nos colocou nos lugares ao seu lado e sentou orgulhosa no meio das crias. Ia ser uma momento sereno, ela ia ficar duas horas tranquila comigo e com a minha irmã quietos e felizes. Mas, o sossego dela durou muito pouco...
Tudo corria bem até que de repente, POW! Matam a mãe do Bambi. Na hora eu não pude acreditar que estava acontecendo aquilo! Como isso podia acontecer num filme infantil? Será que quem tinha feito esse filme tinha pensado em levar todas aquelas crianças lá, só pra tortura-las com essas idéias horríveis de mães morrendo e caçadores sanguinários?
Buáááááááááááááááá! Meu choro foi alto e incontrolável, não só o meu mas o de outras crianças que estavam lá. Minha mãe se afundou na cadeira, as outras crianças logo se acalmaram com o coelhino Tambor e com as cenas floridas que vinham logo a seguir, mas eu não, continuava o meu choro sentido, ensurdecedor e indignado:
- Eu não acredito que a mãe do Bambi morreeeeeeeeeeeeu!
- Calma filho!
- Buáááááááááááá!! Cadê a mãe do Bambi? Ela morreu mãe? Ela morreu? Mãããããããããeee diz que ela não morreu!!
- Calma filho, é um filme!
Não demorou muito para a lanterninha aparecer e pedir pra minha mãe me tirar da sala, porque eu estava atrapalhando a sessão. Irada ela praticamente me arrancou da cadeira, falou pra minha irmã, que não tinha derramado uma lágrima, não levantar da cadeira e me arrastou pro saguão:
- Buáááááááááá!! A mãe do Bambi morreeeeu!
- Filho fica quieto! Eles não vão deixar você voltar para o cinema!
- Eu não quero voltar, a mãe do Bambi moreu!! Buáááááááááá!!
Até que num momento de iluminação, quase me sacudindo de tanta vergonha, minha mãe falou:
- Ela não morreu filho, ela já volta. Vão descobrir que ela só estava sumida, e daqui a pouco ela aparece de novo.
- Ela não morreu? Snif.
- Não. Agora fica tranquilo, respira fundo pra gente ver o filme.
Dois copos d'água e uma lavada de rosto depois, nós voltamos para as cadeiras e eu até consegui curtir um pouco do que restou do Bambi. Quando acabou o filme e a mãe do Bambi não apareceu, tive que perguntar de novo com um nó na garganta:
- E a mãe do Bambi, mãe? Ela morreu mesmo?
- Ah filho, quando a gente saiu da sala, ela voltou, explicou que era tudo mentira e disse que não tinha morrido. A gente perdeu essa cena.
Demorei anos pra descobrir que a mãe do Bambi tinha morrido de verdade e até hoje ainda sofro da "Síndrome do Bambi", que entre outras coisas causa vexames sérios em salas de cinema.

Monday, November 07, 2005

A GRANDE JORNADA

Fugindo da cidade turbulenta e da rotina habitual, que fatigava seus finais de semana, quatro amigos saem de São Paulo, numa sexta-feira caótica, em direção a um oásis de paz, tranquilidade e desapego das formas corporais, onde eram aguardados com impaciência.
A viagem de 5 horas levou quase 7, mas os amigos, num mix de complacência e determinação, tentaram transformar com bom-humor e um certo "veneno" as horas presas no carro em agradáveis momentos de intimidade. Desenterraram fantasmas do passado, histórias que nunca tinham revelado, opiniões ainda não dadas, enfim, conversaram muito, não por obrigação, mas talvez por sentirem necessidade de se conhecerem um pouco mais, como se já não se conhecessem o bastante.
A chegada foi tranquila e nos primeiros minutos tudo já dava sinais de que a estada seria bem lucrativa com relação às histórias que renderia e também com relação aos quilos que ganharíamos. Não foi possível para os amigos resistirem a tudo que lhes foi oferecido. Também não puderam resistir às boas companhias, ao bom clima, à boa recepção, aos bons papos. Tudo que lhes passava na frente era bom, oferecia algum prazer inocente ou engordava.
Ao final de dois dias inteiros, muitas garrafas de vodka vazias, muitas rolhas de vinho, muitos pratos sujos, muitas revelações feitas e muito carinho demonstrado, os amigos retornaram. O final da jornada exigia de nossos heróis, ainda um pouco mais de perseverança para enfrentar as 5 horas que restavam, que eram mais difíceis, pois se somavam ao cansaço de dias intensos.
Corre tudo bem com a volta e já sozinho no carro, o último dos amigos que ainda restava chegar em casa, pensava que sem o longo e cansativo caminho, talvez esse não tivesse sido um final de semana tão perfeito, pois talvez não tivesse deixado os amigos tão em sintonia. Muitas vezes, o que precisamos é de uma jornada juntos para entender porque o caminho pode ser tão bom quanto o destino.

Sunday, October 30, 2005

O TEMPO PASSA

A Claudinha era a "mais gostosa do colégio", e olha que ela nem estava na oitava série quando ganhou esse título. A Claudinha já tinha peitos quando a maioria dos meninos nem sabia o que era isso, já se usava de seu jeito de Lolita, pra pegar os professores de surpresa com suas caras e bocas provocantes, quando eles menos esperavam. A Claudinha já era p.h.d., quando todo mundo ainda era amador. Ao chegar na sétima série a Claudinha já botava fogo nos sonhos do colegial inteiro, já tinha beijado os "top ten mais populares" e já tinha adquirido uma posição de responsabilidade dentre todos os alunos do XII de Outubro.
Além disso, Claudinha era uma "coisa", era linda, meiga, simpática, atrevida, engraçada e principalmente sincera, qualidade muito valorizada pelos adolescentes daquela época. Claudinha circulava bem entre os inteligentes, entre os fanáticos por Educação Física, entre o pessoal que "tinha uma banda", entre as caminhoneiras, entre as feias, entre os esquisitos, entre os populares, enfim, Claudinha era unanimidade entre todo mundo que frequentava a escola. A menina tinha um brilho no olhar, que se não te fizesse se apaixonar, te fazia acreditar que ela ia mudar o mundo.
Claudinha também tinha uma vida digna de inveja, sofria na escola com a separação dos pais, com o padrasto pobre, com o pai que não pagava o colégio, e "sofrimento com causa" para os adolescentes, também era algo bastante invejável. Como se não bastasse, Claudinha ainda vivia acontecimentos. Onde ela estava sempre rolava uma história, como quando foi pega fumando no cemitério perto da escola, ou como quando sabotou a Tia do cachorro quente por aumentar os preços ou mesmo quando conseguiu fundos, pra trocar a prótese da professora de Ciências.
Sem contar que a Claudinha ainda ditava a moda. Se ela aparecesse com o "adidas" dobrado até joelho na quinta, na sexta isso já era de praxe. Se andasse pisando no contra-forte do London Fog na festa de sábado, na segunda, quem não pisasse era brega.
Em todos os anos que eu tive o prazer de estudar na mesma classe que ela, eu era um menino feliz, só por sentir o perfume do seu cabelo molhado de manhã, ou por receber um chiclete do seu troco, ou mesmo por beber suco no mesmo canudo, quando ela me oferecia.
O tempo passou, e eu matei a minha vontade de ficar com a Claudinha numa festa de reencontro dos alunos da escola, quando eu já estava na faculdade. Lembro que ela correspondeu a tudo que eu tinha imaginado quando moleque, e ainda me fez sonhar por mais um tempo. Como as coisas não acontecem todas bonitinhas, nós voltamos a nos separar, dessa vez por muito mais tempo, e hoje em dia, quando muito, ainda nos encontramos nas eleições.
A Claudinha pode estar gorda, com dois filhos pendurados no colo, toda desarrumada, descabelada e com aquela cara de domingo de chuva, mas por incrível que pareça, ela ainda não perdeu o brilho nos olhos que fazia a escola se deitar aos seus pés, e muito menos o ar de garota que vai mudar o mundo, mesmo não sendo mais nenhuma garota. Tem certas coisas que nunca mudam...